Os Desafios dos Educadores de Ciências no Brasil
No prefácio da 1ª edição do seu livro “Biologia Educacional”: Noções Fundamentais, em 1939 o Professor Almeida Junior já previa o desafio dos educadores de Ciências no Brasil em ensinar a ciências e o desenvolvimento das novas tecnologias.
Antônio Ferreira Almeida Junior (1892 – 1971)
Prefácio da 1a Edição
(...)A propósito do estudo, assinalei então um velho preconceito, grato aos que querem baratear a educação popular rebaixando o nível do respectivo magistério: “o professor primário não deve saber muito”. Para a ciência do professor, como para a temperatura dos ambientes, haveria um grau ótimo, não muito superior ao zero termométrico acima do qual a eficiência docente começaria a decair.
Atenuação desse preconceito é a fé caricatamente exagerada nos milagres da “técnica”. Procura-se fazer crer- o que está certo- que há segredos da profissão, uma arte de ensinar primitiva dos iniciados; mas também se afirma- e aí começa o erro- que essa arte independe da cultura geral, e, podendo perfeitamente funcionar no vácuo, confere por si só competência didática. È essa fé pueril na força mística de uma técnica problemática, de uma técnica sem cultura, que faz que se atribua ao magistério, em tom pejorativo, o chamado “espírito primário”, e se envolvam os estudos pedagógicos em uma atmosfera de desconfiança ou de ridículo.
Qualidades inatas e formação técnica são indispensáveis, mas não bastam. Tarefa de natureza complexa, essencialmente espiritual, a educação exige do professor uma cultura geral sólida e variada, haurida no convívio diuturno com a literatura da ciência. E isso tanto para aperfeiçoar-lhe a “técnica” como para fornecer-lhe matéria-prima substancial e pura.(...)
São Paulo, fevereiro de 1939.
Prefácio da 15a Edição
Passado vinte e dois anos depois da publicação inicial deste livro, sai à luz a décima quinta edição: é evidente que não poderíamos desejar melhor prova da boa acolhida que lhe tem sido proporcionada. Quanto a nós, continuando a esforça-nos no sentido de mantê-lo atualizado (sobretudo naquilo que mais importa ao exame do tema que o inspirou), ainda agora introduzimos em seu texto várias inovações.
Nesta época em que tanto se fala entre nós na urgência de acelerarmos o desenvolvimento cultural e econômico do país, um livro como este, que procura mostrar os caminhos para a valorização do homem, há de prestar serviço útil à geração que se apresenta para conduzir os destinos do Brasil.
Almeida Júnior
São Paulo, fevereiro de 1961.
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